Iniciar um tratamento com aparelho dentário fixo implica algumas adaptações no dia a dia, e a alimentação é, sem dúvida, uma das que mais dúvidas levanta. Saber o que não se pode comer com aparelho é uma forma de proteger os seus dentes e de garantir que o tratamento ortodôntico decorre da melhor forma possível.
Neste artigo, vamos explicar-lhe que alimentos deve evitar, os motivos por trás dessas recomendações e como manter uma alimentação equilibrada durante o seu tratamento.
Porque é que a alimentação importa durante o tratamento ortodôntico?
Os bráquetes e arcos metálicos do aparelho fixo criam zonas de difícil acesso na boca, onde a placa bacteriana se acumula com maior facilidade. Vários estudos publicados em bases de dados científicas como a PubMed confirmam que os pacientes com aparelho fixo apresentam um risco acrescido de desmineralização do esmalte, um processo em que os ácidos produzidos pelas bactérias orais removem minerais da superfície dentária, originando as chamadas white spot lesions (manchas brancas).
Estas lesões correspondem a áreas de desmineralização do esmalte e podem ser um sinal precoce de risco de cárie. Em alguns casos, podem manter-se visíveis mesmo após a conclusão do tratamento. Podem surgir muito cedo no tratamento, por vezes logo nas primeiras 4 semanas, e a sua ocorrência tende a aumentar nos primeiros 6 meses de utilização de aparelho fixo.
A boa notícia é que, com algumas escolhas alimentares simples e cuidados diários com a higiene oral, o risco pode ser muito bem controlado.
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O que não se pode comer com aparelho: 5 Alimentos a evitar para proteger o sorriso
1. Alimentos duros e crocantes
São os que representam maior risco imediato. A força necessária para os mastigar pode descolar um bráquete, dobrar o arco ortodôntico ou fraturar outros componentes, o que pode exigir consultas de manutenção extra e prolongar o tempo de tratamento (caso aconteça recorrentemente).
Exemplos de alimentos duros e crocantes a evitar:
- Frutos secos inteiros (nozes, avelãs, amêndoas, cajus);
- Pipocas;
- Bolachas e tostas duras;
- Pão com côdea muito rija;
- Gelo picado.
Muitas destas opções podem continuar a fazer parte da dieta se forem confecionadas de forma diferente. O pão macio, por exemplo, é geralmente uma alternativa segura.
2. Alimentos pegajosos e muito açucarados
Caramelos, pastilhas elásticas, rebuçados moles, gomas e outros doces pegajosos são particularmente problemáticos porque, além de ricos em açúcar, aderem com facilidade aos bráquetes e ao arco, tornando a higienização muito mais difícil.
O açúcar retido em zonas de difícil acesso cria as condições ideais para a proliferação de bactérias e para o início da desmineralização do esmalte. Os estudos científicos mostram que a frequência com que ingerimos alimentos ricos em hidratos de carbono pode aumentar o risco de cáries.
Cada vez que o açúcar entra em contacto com as bactérias da boca, o pH oral desce, colocando o esmalte sob ataque ácido durante um período que pode variar consoante o tipo de alimento, a forma de ingestão e a frequência das refeições.
Além dos açúcares simples, alguns alimentos ricos em amido (sobretudo os de elevado índice glicémico) também podem reduzir de forma significativa o pH da placa e contribuir para o risco de cárie.
3. Bebidas ácidas e refrigerantes
Os refrigerantes, os sumos industriais e outras bebidas ácidas representam um duplo risco: contêm açúcar (que alimenta as bactérias cariogénicas) e têm um pH naturalmente baixo, que por si só é capaz de provocar erosão ácida do esmalte. Em pacientes com aparelho, este efeito é potenciado, uma vez que o líquido fica retido em zonas de difícil limpeza.
A recomendação mais consensual entre profissionais de Ortodontia é preferir água e reservar as bebidas ácidas para momentos muito ocasionais, sempre seguidos de uma boa higienização.
4. Alimentos fibrosos: Cuidado redobrado, não exclusão total
Alguns alimentos fibrosos, como manga, ananás, kiwi e carnes mais fibrosas podem ficar retidos no aparelho e dificultar a higiene. Não precisam de ser excluídos da dieta, mas é aconselhável cortá-los em pedaços pequenos e reforçar a limpeza após a refeição para minimizar o impacto.
5. Alimentos pigmentados: Atenção para quem usa bráquetes estéticos
Para quem usa bráquetes estéticos ou elásticos transparentes, há um cuidado adicional a ter com bebidas e alimentos muito pigmentados, como café, chá preto, açafrão, caril ou molho de soja.
Estes alimentos podem manchar os elásticos transparentes e outras partes visíveis do aparelho, reduzindo a sua discrição que, frequentemente, é a principal razão para escolher este tipo de bráquete.
Dicas para manter uma alimentação equilibrada com aparelho
Ter aparelho fixo não significa abdicar de uma alimentação variada e nutritiva. Com algumas adaptações simples, é possível continuar a comer bem:
- Cortar os alimentos em pedaços pequenos antes de os levar à boca, em vez de morder diretamente (especialmente frutas como a maçã ou a pera);
- Cozinhar os vegetais para os tornar mais macios e fáceis de mastigar;
- Optar por proteínas de textura macia, como peixe, frango ou ovos;
- Preferir laticínios como iogurte natural e queijos frescos, por serem ricos em cálcio e de fácil ingestão;
- Escovar os dentes após cada refeição, com escova adequada ao aparelho e fio dentário ou escovilhão interdentário.
Estas adaptações são geralmente temporárias. Com o tempo, a maioria dos pacientes adapta-se naturalmente e encontra o seu equilíbrio alimentar durante o tratamento.
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A importância do acompanhamento profissional
Cada tratamento é único. As recomendações alimentares podem variar consoante o tipo de aparelho, a fase do tratamento e as características individuais de cada paciente. Por isso, é fundamental que todas as orientações sejam personalizadas e discutidas com o seu médico dentista.
As consultas regulares de acompanhamento são muito importantes para monitorizar o estado do esmalte, detetar precocemente qualquer sinal de desmineralização e ajustar as recomendações ao longo do tempo.
Cuide do seu sorriso durante o tratamento
Um tratamento ortodôntico bem-sucedido resulta da combinação entre o trabalho do profissional e a colaboração do paciente. Escolhas alimentares conscientes e uma higiene oral rigorosa são dois dos pilares mais importantes nesse processo.
Se tiver dúvidas sobre o que pode ou não comer durante o seu tratamento, fale com a equipa da Dentya. Estamos presentes em Vila do Conde, Felgueiras e Marco de Canaveses, disponíveis para o acompanhar em cada etapa do caminho. Visite também o nosso blog e descubra mais artigos sobre saúde oral e bem-estar.