Sangrar das gengivas é um dos sintomas mais frequentemente reportados em consultório. Para muitas pessoas, notar sangue ao escovar os dentes ou ao usar o fio dentário pode gerar alguma preocupação e é, na verdade, um sinal que merece atenção clínica.
Embora nem sempre indique uma situação grave, o sangramento gengival raramente é normal e pode ser indicativo de alterações que beneficiam de avaliação e acompanhamento profissional.
O que acontece quando as gengivas sangram?
As gengivas saudáveis tendem a ser firmes, de cor rosada e não sangram em condições normais. Quando ocorre sangramento, tal pode ser reflexo de inflamação nos tecidos gengivais, um processo em que o organismo responde à presença de bactérias ou de outros fatores irritantes. Esta inflamação compromete a integridade dos vasos sanguíneos presentes nos tecidos moles, tornando-os mais frágeis e permeáveis.
De acordo com a Federação Europeia de Periodontologia, a gengivite (forma mais ligeira de doença gengival) é uma condição muito prevalente e, na maioria dos casos, reversível com controlo eficaz da placa bacteriana e higiene oral adequada. No entanto, quando não tratada, pode progredir para formas mais avançadas de doença periodontal.
Principais causas do sangrar das gengivas
1. Acumulação de placa bacteriana e tártaro
A causa mais comum do sangramento gengival é a acumulação de placa bacteriana junto à linha da gengiva.
Quando a placa não é removida de forma eficaz pela escovagem e pelo uso de fio dentário, as bactérias presentes libertam toxinas que irritam os tecidos gengivais, desencadeando um processo inflamatório. Com o tempo, a placa mineraliza e transforma-se em tártaro, cuja remoção requer intervenção profissional.
2. Técnica de escovagem inadequada
Uma escovagem demasiado vigorosa ou com escova de cerdas muito duras pode magoar os tecidos gengivais e provocar sangramento por trauma mecânico. Por outro lado, uma escovagem insuficiente ou pouco sistemática pode favorecer a acumulação de placa.
A técnica de escovagem adequada é um aspeto frequentemente subvalorizado, mas com impacto direto na saúde gengival.
3. Alterações hormonais
Flutuações hormonais associadas à gravidez, à puberdade ou ao ciclo menstrual podem aumentar a sensibilidade e a reatividade das gengivas, tornando-as mais propensas ao sangramento mesmo na presença de quantidades reduzidas de placa bacteriana.
Na gravidez, as alterações hormonais tornam as gengivas mais sensíveis à placa bacteriana, o que pode levar à gengivite gravídica e ao sangramento ao escovar ou ao usar fio dentário.
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4. Medicação
Alguns medicamentos, nomeadamente anticoagulantes, podem aumentar a tendência para sangramento gengival. Já certos anticonvulsivantes e bloqueadores dos canais de cálcio estão mais frequentemente associados a alterações dos tecidos gengivais, como aumento de volume da gengiva.
Se houver suspeita de que a medicação possa estar relacionada com algum destes sinais, é importante partilhar essa informação com o seu médico dentista.
5. Doença periodontal
Quando a inflamação gengival não é controlada, pode evoluir para periodontite, uma condição que afeta não apenas as gengivas, mas também o osso e os ligamentos que suportam os dentes. Esta é uma das principais causas de perda dentária nos adultos.
A doença periodontal tem ainda sido associada, em estudos observacionais, a condições sistémicas como diabetes e doenças cardiovasculares, embora a relação de causalidade ainda seja objeto de investigação científica.
6. Outras condições sistémicas
Em casos menos frequentes, o sangramento gengival recorrente pode estar relacionado com alterações da coagulação, carências nutricionais (como de vitamina C) ou outras condições de saúde que requerem avaliação médica. Por este motivo, a persistência do sangramento deve sempre ser comunicada a um profissional de saúde.
7. Próteses dentárias desajustadas
Próteses mal-adaptadas podem causar irritação e trauma repetido nas gengivas, favorecendo sangramento local e desconforto. Nestes casos, é importante avaliar o ajuste da prótese com o médico dentista.
O que pode fazer para cuidar das suas gengivas?
Existem medidas de higiene oral que, quando adotadas de forma geral, contribuem para a saúde gengival:
- Escovar os dentes pelo menos duas vezes por dia, com uma escova de cerdas suaves ou médias, durante dois minutos;
- Usar fio dentário ou escovilhão interdentário diariamente, para remover a placa bacteriana das zonas entre os dentes;
- Recorrer a colutório com ação antisséptica, quando indicado por um profissional, como complemento da escovagem e da limpeza interdentária;
- Evitar o tabaco, que é um fator de risco reconhecido para a doença periodontal;
- Manter consultas de revisão e higiene oral com regularidade.
Estas recomendações têm valor preventivo, mas não substituem a avaliação clínica, sobretudo quando o sangramento é persistente, recorrente ou acompanhado de outros sinais como retração gengival, mobilidade dentária ou dor.
Quando procurar um médico dentista?
Mesmo quando surge de forma ocasional, o sangrar das gengivas não deve ser ignorado, mas antes encarado como um sinal precoce de alterações na saúde oral.
Já se o sangramento gengival for frequente, mesmo que ligeiro, ou se mantiver após melhorar os hábitos de higiene oral, é aconselhável agendar uma consulta.
A avaliação clínica permite identificar a causa subjacente e definir o plano de acompanhamento mais adequado ao seu caso, que pode incluir limpeza oral profissional, alisamento radicular e outras medidas terapêuticas.
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